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De Redundo para o Mundo

Um olhar sobre o mundo das notícias

De Redundo para o Mundo

Um olhar sobre o mundo das notícias

Portugal de mal a pior

Julho 03, 2011

adamirtorres

 

 

Esta semana ficou marcada por três notícias algo incompreensíveis.

A primeira delas foi apresentada logo na primeira vez que o actual primeiro-ministro esteve no parlamento.

O Imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal, uma das médidas extraordinárias (uma espécie de PEC5) que foram apresentadas pelo primeiro-ministro Passos Coelho dizendo que eram necessárias porque Portugal já está a fugir das metas estipuladas para o ano de 2011, mas o que não se entende são as medidas agora apresentadas, a suspensão do fecho de escolas do primeiro ciclo, e a suspensão do Plano de Viabilização e Reestruturação da empresa dos estaleiros de Viana, duas medidas despesistas em tempo de poupança.

Segundo o que tem saído na comunicação social a direcção dos estaleiros de Viana disse que estavam a ter 160 mil euros de prejuízos por mês, a mesma direcção disse também que apresentam um passivo acumulado de 200 milhões de euros e fecharam 2010 com prejuízos de 40 milhões de euros.

Com esta suspensão até Setembro quem é que vai suportar este prejuízo, uma vez que já no ano passado o governo teve que injetar dinheiro nos estaleiros para eles se manterem abertos.

Muita gente tem referido que os estaleiros têm uma carteira de encomendas de 500 milhões de euros em construções para a Marinha e 130 milhões em dois navios asfalteiros para a Venezuela, mas não nos podemos esquecer que para os trabalhadores poderem trabalhar precisam de matéria-prima que custa dinheiro, a grande questão aqui não é o valor das encomendas, mas sim o lucro que vão obter com elas e se ele vai chegar para as despesas e garantir os ordenados dos trabalhadores.

Também não consigo entender porque é que continuam a injetar dinheiro em empresas públicas que não são viáveis e por outro lado tornam mais fácil o despedimento em empresas privadas, os trabalhadores de empresas privadas também não são Portugueses? Porque é que não fazem como nos estaleiros no ano passado?

Na empresa onde trabalho, no início do ano foram despedidos mais de 50% dos funcionários, ninguém se preocupou com eles pois não eram funcionários públicos, quando uma empresa não é viável deve ser estruturada em vez de continuar a dar prejuízo ao estado e aos contribuintes que vêm os seus impostos a serem injetados em impressas falidas, no caso das privadas, fecham pois ninguém tem pena dos funcionários que viram o dinheiro dos seus imposto a serem gastos em empresas públicas e eles vão para o fundo de desemprego pois o estado não quer saber deles.

 Eu confesso que sou a favor dos despedimentos, quando eles são benéficos para a empresa, o despedimento de alguns funcionários por vezes é um mal menor, porque ao despedirem alguns estão a salvar o posto de trabalho de outros, foi o que aconteceu em pelo menos duas empresas em Paços de Ferreira que não tinham trabalho para todos os empregados e com a redução conseguiram manter quase 50% dos postos de trabalho.

Se não mudamos de rumo vamos ter o mesmo fim que a Grécia, pois vai chegar o dia em que os Portugueses se vão fartar de medidas de austeridade que não resolvem nada apenas tiram o dinheiro aos contribuintes.


Passos Coelho: “Não contem comigo para não dizer a verdade”

Julho 02, 2011

adamirtorres

“Não contem comigo para fazer de José Sócrates, não contem comigo para dizer que vai ser tudo fácil, não contem comigo para não dizer a verdade”. As palavras são de Pedro Passos Coelho, líder do PSD, quando esteve em Viseu num congresso do partido.

 

Passos Coelho que tantas vezes acusou José Sócrates (antigo Primeiro Ministro)  de não falar a verdade aos portugueses, veio agora demonstrar que também ele não fala a verdade.

 

Há três meses, o então candidato Pedro Passos Coelho enviava não só ao País, mas concretamente a uma adolescente da escola de Vila Franca de Xira uma mensagem de esperança em relação ao corte de subsídios.

 

O que se veio a provar logo na sua primeira intervenção no Parlamento, em que ao apresentar as medidas extraordinárias (PEC5) apresentou o imposto extraordinário sobre subsídio de Natal, desmentido o que tinha dito em Vila Franca de Xira como podem ver no vídeo em cima, comprovando assim que não passava de um promessa eleitoral de angariação de votos.

Como já se viu com a apresentação das medidas extraordinárias (PEC5) os Portugueses estão dispostos a fazer mais sacrifícios para melhorar Portugal, por isso merecem ser respeitados, chega de enganar o povo.

 

Falem a verdade, não queremos ver isto em Portugal

 

(clicar na imagem para a ampliar)  

(clicar na imagem para a ampliar)


PEC5 as medidas extraordinarias

Julho 02, 2011

adamirtorres

Depois de ter chumbado o PEC4 que acabou por ser aprovado mas com um nome diferente (Memorando da Troika), o PSD agora no governo vem apresentar o PEC5 mas também tem um nome diferente (Medidas Extraordinárias).

Como dá para perceber, as eleições não serviram de nada. Os partidos quando na oposição defendem uma coisa e quando estão no poder fazem outra. A politica continua a mesma, só alteraram os nomes dos ministros.

 

 

 

Ver esta e muitas outras Cartoons em »»»Henricartoon 


Emprego e Mercado de Trabalho

Junho 28, 2011

adamirtorres

 

O bem-estar das pessoas e a competitividade das empresas e da economia portuguesa no actual contexto de globalização exige, acima de tudo, uma legislação laboral que  fomente a economia e a criação de emprego, que diminua a precariedade laboral e  que esteja concentrada na protecção do trabalhador e não do posto de trabalho. Cabe, então:

- Modernizar o mercado de trabalho e as relações laborais;

-  Dotar  as  empresas  de  instrumentos  de  resposta  a  situações  de  crise  e condições para o aumento da produtividade e competitividade;

- Assegurar que a política normal de rendimentos deve respeitar o princípio geral de que, a nível global da economia, os custos do trabalho deverão evoluir de acordo com a produtividade.

 

 No quadro da Concertação Social, e tendo em vista a competitividade da economia nacional,  o  Governo  fará  tudo  o  que  está  ao  seu  alcance  para  implementar  o Memorando  de  Entendimento  nos  aspectos  respeitantes  à  reforma  do  mercado laboral. Para tal, o Governo compromete-se a:

- Simplificar a legislação laboral, permitindo uma maior clareza das normas e diminuição da burocracia;

-  Assimilar  na  legislação  laboral  a  realidade  específica  das  empresas, independentemente das suas dimensões, designadamente nos aspectos relacionados com as formalidades inerentes à admissão de trabalhadores, criando um regime legal mais  ajustado  à  realidade  destas  últimas  e  retirando  burocracias  e  excessos  de procedimentos;

- Na situação de indemnização em substituição de reintegração a pedido do empregador haverá uma concretização do seu alargamento às pequenas e médias empresas;

- Promoção da arbitragem laboral em conflitos individuais de trabalho, de forma a agilizar a resolução de diferendos;

- Regulamentação do Código do Trabalho para garantir a possibilidade de alteração das datas de alguns feriados, de modo a diminuir as pontes demasiado longas e aumentar a produtividade;

- Nos contratos a celebrar no futuro haverá uma ponderação da passagem para a existência legal de um só tipo de contrato de maneira a tendencialmente acabar com os contratos a termo, enquanto se flexibiliza o período experimental no recrutamento inicial ou introduzindo algumas simplificações no processo de cessação dos contratos;

- Devido à actual situação de emergência social, a renovação dos contratos a termo que caduquem nos próximos 12 meses deve ser admitida.

 

 No domínio da duração do trabalho será permitido o estabelecimento de horários de trabalho ajustados às necessidades de laboração das organizações e da melhor gestão do seu capital humano, nomeadamente através de:

- Banco de horas - introduzir a possibilidade de ser estabelecido por acordo individual ou grupal, sem necessidade de previsão em IRCT e de funcionar por períodos plurianuais;

- Trabalho suplementar  - alinhar com práticas internacionais de países de referência, adequando a compensação às necessidades da empresa e do trabalhador, por uma das seguintes formas (e não como actualmente com dupla compensação): concessão de tempo equivalente (ou majorado) de descanso (com um limite máximo anual) ou férias; por remuneração suplementar.

 

No que diz respeito ao trabalho temporário terão lugar as seguintes medidas:

-  Admissibilidade  do  recurso  a  trabalho  temporário  sempre  que  houver  uma verdadeira necessidade transitória de trabalho;

- Prever a possibilidade de prescindir da justificação, desde que respeitados certos limites percentuais deste tipo de contratação, face ao total de trabalhadores da empresa.

 

No que se refere ao subsídio de desemprego salientam-se as seguintes decisões:

- Redução do tempo necessário para o acesso ao subsídio de desemprego, de acordo com o estipulado no Memorando de Entendimento;

- Reestruturação do modelo actual, com vista ao estímulo ao regresso ao mercado de emprego;

 

-  Efectivar  a  atribuição  do  subsídio  de  desemprego  a  trabalhadores independentes   e   equiparados   que   tenham   efectuado   descontos   e   que comprovadamente se encontrem na situação de desemprego, a qual deverá estar sujeita a um rigoroso processo de atribuição e de fiscalização.

 

Quanto à mobilidade do trabalho, há que prever mecanismos de cedência temporária de trabalhadores por período de tempo limitado, entre empresas, dependente de acordo expresso do trabalhador.

Além disso, será levada a cabo uma revisão do Código Contributivo no sentido de diminuir os custos de trabalho para as empresas e promover o emprego, tendo em particular atenção a injustiça do Código Contributivo em relação aos recibos verdes dos trabalhadores independentes.

Nas actuais circunstâncias torna-se mais urgente do que nunca desenvolver uma nova geração de políticas activas de emprego:

- Rever os conteúdos das ofertas formativas adequando-as às necessidades do mercado de trabalho, promovendo a sua deslocação para as empresas e permitindo a estas deduzir os respectivos custos em sede de tributação;

- Identificar as profissões em que a oferta de postos de trabalho não encontra satisfação do lado da procura de emprego;

- Publicar a lista de profissões em que é previsível virem a verificar-se maiores necessidades de mão-de-obra;

- Criar programas com o objectivo de promover o acesso ao mercado de trabalho de jovens com elevadas qualificações que, nas actuais condições, são fortes candidatos à emigração;

- Lançar um programa destinado à requalificação profissional de desempregados e direccionado para as profissões em que exista maior inadequação entre a oferta e procura;

 

- Desenvolver o recurso ao cheque-formação, facilitando o acesso individual dos trabalhadores à formação;

- Criar programas dirigidos à inserção de desempregados com mais de 55 anos, através de acções de formação profissional específica, com o objectivo de fornecer as competências adequadas para desempenho de funções de apoio social, no quadro da Rede Nacional de Solidariedade;

- Desenvolver mecanismos de apoio à promoção do próprio emprego e de apoio ao início de actividade aos níveis da consultadoria, do financiamento e da qualificação; - Aprofundar, em conjunto com os parceiros sociais, os mecanismos de intervenção previstos no regime dos Centros de Emprego e Inserção, no sentido de privilegiar o desenvolvimento  de  actividades  de  responsabilidade  social  e  de  trabalho socialmente útil que contribuam para a promoção de uma efectiva integração profissional de públicos desfavorecidos;

- Confiar a gestão dos Centros Protocolares aos agentes económicos e parceiros sociais,  na  base  de  contratos-programa  em  que  se  definam  as  regras  de financiamento e as obrigações a que os beneficiários se encontram submetidos;
- Sustentar as políticas activas de emprego em programas que visam criar mais oportunidades para as pessoas, com uma aposta centrada na formação continuada, proporcionando qualificações transversais. Pretende-se fornecer mais capacidade de polivalência para a empregabilidade, de modo a responder eficazmente na área laboral;

-  Reforçar  a  ajuda  técnica,  nos  gabinetes  de  inserção  profissional,  para desempregados com o objectivo de dar a conhecer as possibilidades e incentivos para a criação do próprio emprego;

- Garantir em alternativa à entrega por uma só vez do remanescente do subsídio de desemprego a quem cria o seu próprio emprego, a sua suspensão e eventual retoma em caso de insucesso.

 

(Programa do XIX Governo Constitucional)


Programa do XIX Governo

Junho 28, 2011

adamirtorres

I.Confiança, Responsabilidade, Abertura 

II. O Desafio da Mudança 

III. Finanças Públicas e Crescimento 

IV. Cidadania e Solidariedade

V. Política Externa, Desenvolvimento e Defesa Nacional 

VI. O Desafio do Futuro

 

 

 

 

 

I.Confiança, Responsabilidade, Abertura

 

O XIX Governo Constitucional apresenta aos Portugueses, através da Assembleia da República eleita no passado dia 5 de Junho, o seu programa para a legislatura. Suportao uma maioria coerente e estável que saberá crescer da sua matriz originária para o País. A principal preocupação do Governo traduz-se em assegurar a total consonância do seu programa com as aspirações e as necessidades dos Portugueses no momento difícil que atravessamos.

Por outro lado, o Governo não pode deixar de salientar a circunstância de cerca de 85 por cento dos deputados eleitos para a Assembleia da República por uma amplíssima maioria dos Portugueses representarem partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento estabelecido com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Este facto garante o indispensável apoio político e social ao cumprimento escrupuloso de todas as suas metas, calendários e objectivos.

Torna-se por isso obrigatório o regresso, tão breve quanto possível, a uma trajectória sustentável das contas públicas que dê lastro a uma economia próspera e criadora de emprego a médio prazo. Ou seja, rigor e firmeza nas finanças públicas para o crescimento económico, a promoção do trabalho, a competitividade empresarial e a inclusão social.

O programa do Governo assenta em cinco pilares fundamentais, a saber, o Desafio da Mudança, as Finanças Públicas e o Crescimento, a Cidadania e a Solidariedade, a Política Externa, Desenvolvimento e Defesa Nacional e, por fim, o Desafio do Futuro. A todos eles subjazem princípios orientadores indeclináveis sustentados no superior interesse nacional.

Nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os Portugueses, numa relação de abertura e responsabilidade que permita ao País reencontrar-se consigo próprio. O Governo desenvolverá uma relação adulta com os Portugueses por forma a superar a cultura dos paternalismos e das dependências, estimulando, em contrapartida, uma cultura da responsabilidade e da abertura. Tal supõe a constante promoção dos valores que constituem o código genético do nosso regime democrático e a vocação para uma via reformista e de progresso centrada nas pessoas concretas, nos seus problemas e ambições.

O programa do Governo reflecte amplamente o mandato que recebeu para a mudança. Trata-se de mudar com realismo e coragem, isto é, sem falácias ideológicas que escondem sempre falsos desígnios. Pelo contrário, o desígnio do Governo é um compromisso com a cidadania, com a solidariedade, com a iniciativa e com a criatividade.

O Governo pugnará por uma sociedade mais cosmopolita e liberta das tentações periféricas que as mais de três décadas de democracia não conseguiram afastar plenamente e que, entre outros aspectos, se evidenciaram na estagnação económica, no abandono do País por parte de tantos que nele não encontraram as oportunidades que desejavam, assim como na sua crescente marginalização relativamente aos centros de prosperidade e de progresso do mundo globalizado.

O Governo assume neste programa um registo de combate sereno e determinado às injustiças. Temos a noção de que Portugal é em muitos planos, e não obstante os progressos realizados, uma sociedade injusta e desigual. As políticas aqui enunciadas visam tornar mais móvel a estrutura social, correspondendo assim a uma das promessas mais nobres do regime democrático, em conjugação com a preservação das instituições basilares do Estado social e com o aumento da sua eficácia.

Nas opções no domínio da Educação é notório o propósito não só de dotar os Portugueses de competências e aptidões sólidas, mas também de contribuir para o desenvolvimento das qualidades intelectuais e humanas que lhes permitam com confiança participar, quer a título individual, quer como comunidade, nos grandes processos históricos de globalização económica, cultural e científica.

Os sistemas institucionais – da Administração Pública ao “Estado Paralelo”, da Justiça à Saúde, da Cultura ao Emprego, do Equipamento Social à Terra – nem sempre se revelaram à altura das necessidades colectivas. A tarefa do Governo é, também, a de credibilizar interna e externamente as instituições públicas, colocando-as ao serviço da cidadania, da solidariedade e do dinamismo económico. Assim o Governo prestigia o País e a sua soberania, quer na ordem interna, quer na ordem externa, honrando todos os compromissos contraídos que são hoje indisputáveis componentes da história do Portugal democrático e europeu.

Este é um programa frugal e realista para quatro anos. Frugal porque pondera as contingências em que assume funções e apela ao esforço de poupança do Estado, das famílias e das empresas. E realista porque o move a ambição de ultrapassar e remover a presente situação de emergência financeira, económica e social que tantos deixou para trás. O programa que apresentamos estriba-se na eminente dignidade da pessoa humana, ponto de partida para quaisquer políticas públicas modernas. E acredita na energia e iniciativa de todos e de cada um para que, com confiança, responsabilidade e abertura, Portugal não falhe.

 

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II. O Desafio da Mudança

 

 

Portugal atravessa hoje uma crise gravíssima que nos coloca, enquanto comunidade, numa das encruzilhadas mais determinantes da nossa história recente. É fundamental que  este  momento  seja  interpretado  como  uma  oportunidade  de  corrigir  erros passados, sem sucumbir à tentação do pessimismo ou da inevitabilidade histórica. Este Programa reconhece que o País vive hoje, em praticamente todos os domínios, uma situação de excepção, a que é preciso acudir com carácter prioritário, com particular destaque para a área social e para o plano financeiro.

A grave situação económica e financeira do País impôs um pedido formal de ajuda externa à Comissão Europeia, ao Banco Central Europeu e  ao Fundo Monetário Internacional. O Memorando de Entendimento acordado entre o Governo português e estas instituições internacionais estabelece um conjunto de medidas exigentes do ponto  de  vista  social e  político.  O  Estado  português  terá  de  cumprir  de  modo escrupuloso  os  compromissos  assumidos  internacionalmente,  condição  necessária para recuperar o crédito externo e regressar ao crescimento e ao emprego. Dada a natureza  estruturante  de  algumas  medidas,  uma  boa  execução  do  Programa representará também a realização de reformas estruturais há muito prometidas aos Portugueses mas sempre adiadas.

Pelo que foi referido, e conhecendo-se a complexidade técnica das disposições, o carácter transversal de parte delas, assim como o exigente calendário de execução, o Governo decidiu criar uma Unidade de Missão para o Acompanhamento do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro acordado com a CE/FMI/BCE. A Unidade de Missão estará na dependência directa do Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, sendo extinta no final do período de vigência do Programa de Ajustamento.
Entre outros objectivos, a Unidade de Missão tem a responsabilidade de coordenar, em estreita associação e cooperação com o Ministério das Finanças, e centralizar a comunicação e a partilha de informação com as instituições internacionais envolvidas, monitorizar o cumprimento das medidas e trabalhar com as equipas que em cada ministério são responsáveis pela sua execução.

O pedido de ajuda externa, e os termos em que foi concedido pelas instituições internacionais referidas, constitui o ponto de partida fundamental para a reformulação das nossas finanças públicas. Assim, o Governo garante o cumprimento atento e rigoroso do Memorando de Entendimento. O objectivo do Governo é readquirir a confiança  entretanto  perdida  dos  investidores  internacionais.  Restabelecida  essa confiança, o Governo procurará, num prazo tão curto quanto possível, garantir o regresso do Estado português aos mercados financeiros numa base sólida e relançar o crescimento económico no nosso País. O Governo entende que a austeridade na despesa do Estado, sujeita a modelos de eficiência, virá a constituir, a prazo, uma alavanca  para  a  melhoria  da  produtividade,  para  o  incremento  do  potencial  de crescimento e para a criação de emprego.

Num momento em que todos os sectores da sociedade portuguesa enfrentam novas dificuldades e demonstram a sua capacidade de se adaptar a novas circunstâncias, o nosso sistema político não pode ser uma excepção. O reforço da democracia, da prosperidade e da coesão social exige instituições que propiciem e estimulem a participação, a iniciativa e o empreendedorismo dos cidadãos, e ofereçam ainda um enquadramento  bem  definido,  transparente  e  seguro  para  as  relações  sociais  e empresariais.

Os resultados do modelo de governação existente estão hoje bem à vista: o Estado tem  vivido  claramente  acima  das  suas  possibilidades;  registou-se  um  aumento contínuo  do  seu  peso  e  dimensão;  perdeu-se  competitividade  e  agravou-se exponencialmente o endividamento externo, que atingiu níveis insustentáveis; a nossa imagem internacional degradou-se; os mercados perderam a confiança em Portugal;
as pessoas vivem pior e está em risco não apenas a qualidade de vida das actuais gerações, mas também o futuro das novas gerações e o daquelas que estão por nascer.

 Sem um sistema político eficiente não será possível resolver os graves problemas económicos  e  financeiros  que  enfrentamos.  Mais,  sabemos  que  as  lacunas  de organização  do  sistema  político  tiveram  um  papel  importante  na  origem  destes problemas. O Governo propõe-se melhorar o quadro institucional da vida portuguesa, o que pressupõe um poder político transparente, sujeito a escrutínio efectivo e suscitador de mais e maior confiança. Para o alcançar, o Governo estabelecerá regras claras e iguais para todos, de modo a que as iniciativas e projectos individuais e colectivos possam ser levados a cabo em igualdade de circunstâncias.

 

O Governo tomará iniciativas para que o País tenha um sistema eficaz de combate à corrupção, à informalidade e a posições dominantes, e que seja dotado de um sistema de  regulação  mais  coerente  e  independente.  Aperfeiçoará  o  funcionamento  das instituições e trabalhará para alcançar um sistema de justiça mais célere, mais capaz de garantir direitos e contratos e de reparar a sua violação.

 

O Governo acredita que é possível fazer uma utilização mais eficiente dos recursos, pressuposto absolutamente necessário para preservar e viabilizar a maior parte dos serviços públicos e o exercício das legítimas funções do Estado.

 

Em suma, o Governo compromete-se a desenvolver instituições que propiciem uma vida política, social e económica mais próspera, mais justa e mais livre. Os eixos de acção previstos ao nível do sistema político, das práticas de governação e da regulação são os seguintes:

Emprego e Mercado de Trabalho

 

 

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III. Finanças Públicas e Crescimento

 

 

Nos próximos anos o ajustamento da economia portuguesa terá uma exigência sem quaisquer precedentes históricos recentes. A correcção dos desequilíbrios financeiros externos e internos é a prioridade máxima do Governo. O objectivo primordial é o regresso do País ao financiamento em condições normais de mercado. A par de servir esse grande objectivo este ajustamento inédito servirá para lançar as bases para a promoção de um crescimento económico sustentado, a criação de emprego e a promoção da solidariedade.

 

Neste quadro, o cumprimento dos objectivos e das medidas previstas no Programa de Assistência Financeira acordado com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional terá precedência sobre quaisquer outros objectivos programáticos ou medidas específicas, incluindo apoios financeiros, benefícios, isenções ou outro tipo de vantagens fiscais ou parafiscais cuja execução se venha a revelar impossível até que a sustentabilidade orçamental esteja assegurada. O Governo adopta como princípio prioritário  para  a  condução  de  todas  as  políticas  que  nenhuma  medida  com implicações  financeiras  será  decidida  sem  uma  análise  quantificada  das  suas consequências no curto, médio e longo prazo e sem a verificação explícita da sua compatibilidade com os compromissos internacionais da República.

 

Todavia, e sem prejuízo do cumprimento escrupuloso das medidas acordadas com o FMI e a União Europeia, o Governo será mais ambicioso na concretização do processo de ajustamento da economia portuguesa e, em particular, dos objectivos e exigências que lhe estão colocados, precavendo-se contra eventuais desenvolvimentos adversos externos e internos. Nesse sentido, serão adoptadas medidas adicionais de carácter estrutural tendentes a garantir o cumprimento e a antecipação das metas a que o País está obrigado e, por essa via, a restaurar a confiança internacional na sua economia.

 

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IV. Cidadania e Solidariedade

 

 

O sistema de Justiça é um pilar do Estado de Direito e uma das funções de soberania fundamentais do Estado que tem como desígnio primeiro o cidadão, na defesa de direitos,  liberdades  e  garantias  e  um  factor  de  eficiência  da  economia,  sendo transversal a sua importância na vida política e social.

 

Importa melhorar a qualidade do Estado de Direito, reforçar a cidadania, dignificar a Justiça e os seus agentes e combater a corrupção, bem como agilizar os sistemas processuais.  As  reformas  a  empreender  só  podem  ser  levadas  à  prática  com o envolvimento  dos  órgãos  de  soberania,  dos  operadores  judiciários  e  respectivas instituições e da sociedade.

 

 

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V. Política Externa, Desenvolvimento e Defesa Nacional

 

 

Portugal tem uma diplomacia competente e segura, com provas dadas nos organismos internacionais, sendo a política externa assente em opções europeias, atlânticas e lusófonas que reúnem largo consenso e têm merecido acordo político consistente.
Sucede que, na situação em que Portugal se encontra, é preciso ir além dos consensos tradicionais; devemos ter a coragem de inovar, procurar consenso e adoptar uma nova prioridade  estratégica  nacional:  uma  fortíssima  diplomacia  económica,  desafio inexorável e inadiável para a recuperação da nossa credibilidade externa, para a atracção  de  investimento  e para a  promoção das empresas, produtos  e  marcas portuguesas no exterior. A promoção da diplomacia económica deve estar no centro e  uma  profissão  altamente  qualificada  no  Estado  e  do  Estado.  Nos  termos anteriormente  previstos,  os  instrumentos  existentes  na  rede  do  Ministério  dos Negócios Estrangeiros serão envolvidos no novo modelo de promoção e atracção do investimento e da internacionalização da economia portuguesa.

 

A política externa deve orientar-se para a recuperação da reputação financeira, do prestígio internacional e para o fomento da actividade económica com o exterior, potenciando  as  nossas  exportações,  apoiando  a  internacionalização  das  nossas empresas e a captação de mais investimento directo estrangeiro.

 

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VI. O Desafio do Futuro

 

 

A Educação é uma área que determina, de forma indelével, o nosso futuro colectivo.
Só se obtêm resultados com determinação e rigor, com a cooperação dos pais, professores e alunos e com a criação de um ambiente de civilidade, trabalho, disciplina e exigência. Assim, as soluções preconizadas visam, face à realidade das escolas portuguesas, qualificar os nossos alunos e desenvolver a sua formação cívica.

 

O Governo assume a Educação como serviço público universal e estabelece como sua missão a substituição da facilidade pelo esforço, do laxismo pelo trabalho, do dirigismo pedagógico pelo rigor científico, da indisciplina pela disciplina, do centralismo pela autonomia.

 

A necessidade de melhorar a qualidade do que se ensina e do que se aprende, com vista à concretização de metas definidas, assenta na definição de uma estratégia que permita a criação de consensos alargados em torno das grandes opções de política educativa. Para o conseguir, é fundamental estabelecer um clima de estabilidade e de confiança nas escolas.

 

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(Programa do XIX Governo Constitucional)

 


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