Não há que escondê-lo. Esta Itália apresenta o ADN de um legado secular, desde os primórdios do futebol na «bota» do Mediterrâneo. É matreira, calculista e fria. Permite que os outros - hoje foi a Croácia - exibam os dotes técnicos, qual vaidade, para depois «matar» o jogo em atos pensados, medidos e estudados. Quase seria assim, esta tarde.
Aquele golo de Andrea Pirlo, aos 39 minutos, é a prova viva da cultura futebolística italiana. De regresso a um 3x5x2 que se julgava esquecido no baú das memórias, a equipa de Cesare Prandelli foi cedendo o campo aos artistas croatas, mas no fim, ao olhar-se para a ficha das oportunidades, vê-se uma imenso mar azzurro.Antes do livre do maestro da Juventus, que valeu aquela vitória tão tradicional por 1x0, a Itália já tinha perfumado com odor a golo a partida de Poznan. É aqui que entra o enfant terrible do novo calcio, Mario Balotelli. Mais «vivo» do que frente à Espanha, o avançado começou por dominar, rodar e rematar com perigo aos três minutos.
Com a falsa ilusão de um jogo dividido, a Itália voltava a cercar-se da área de Pletikosa aos 11 minutos, num remate-bomba de Marchisio que falhou por poucos centímetros o cálculo do golo. Depois voltou Balotelli, a disparar à figura de Pletikosa. Passariam 15 minutos com a Itália refastelada no jogo da espera, vigiliante do jogo croata que vivia de Modric e Srna.E foi do capitão dos eslavos que nasceu a mais perigosa das oportunidades croatas, aos 20 minutos. Um cruzamento venenoso quase chegava a Jelavic, que viu Buffon chegar um segundo mais rápido. Foi tudo o que a Itália permitiu, antes de voltar para «matar.» Cassano, primeiro, e Marchisio depois, com uma dupla ocasião, serviram de aperitivo ao momento de Pirlo.
Minuto 39, o campeoníssimo de 33 anos tira as medidas à baliza de Pletikosa a segundos do livre direto. O remate é perfeito, o esforço do guardião croata é notável, mas há destinos que não se podem mudar. 1x0 para a Itália.
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E no fim, o resultado mais italiano (1x1) :: zerozero.pt